O último que sair fecha a porta – 10 anos depois

10 anos atrás, nossa fundadora apresentou aos diretores de um documentário a ser divulgado na TV Cultura, alguns alunos que estavam se preparando para a famosa entrevista de imigração que existia na época. Ainda não assistiu? Veja o que acontece com os participantes do documentário um pouco mais de 10 anos depois!

Paulo e Janete

Janete e Paulo estudaram na ÉQ em 2008 com o objetivo de imigrar pelo Programa de Trabalhadores Qualificados e deu tudo muito certo. Agora, a família está completa. Veja as  respostas às nossas perguntas.

Hoje, vocês estão como profissionalmente? E a família?

Bem. Eu trabalho na minha área de formação, que é a informática. Sou o que eles chamam de analista de serviços para clientes de informática, na Hydro-Québec. Estou nesta empresa desde que cheguei em Québec. Minha esposa trabalhou por várias empresas por aqui. Atualmente ela é agente de traitement CNSST, trabalhando para o Centre de Services Partagés do governo do Québec, no setor de digitalização de formulários.

Conte um pouco de como foi a integração de cada um!

Acredito que os três primeiros meses são cruciais. Ajudou o fato de já termos vindo antes da imigração definitiva (um ano antes, duas semanas para estudar francês). A maneira de como os quebequenses trabalham é um pouco diferente. Acredito que requer menos flexibilidade, mas as tarefas são mais bem definidas e trabalho é o que não falta.

E seus filhos? Eles falam que língua? Já vieram para o Brasil? Preferem qual país?

O bebê ainda não fala direito, mas a mais velha fala as duas línguas. O francês dela é melhor, mas fazemos muito esforço para que ela guarde a língua dos pais também.
Os dois já visitaram o Brasil, acredito que Sophie prefira mais o Canadá. Talvez por estar mais habituada e é bem verdade que os amigos dela moram no Canadá. O Brasil fica destinado apenas para rever a família.

Quais são os seus 5 principais conselhos para quem está se preparando a ir?

1 – Se não gosta de falar francês, nem tente o processo.
2 – Procure morar perto dos meios de transportes públicos no começo, mesmo que você compre um carro, você deverá revalidar sua carteira de motorista e morar perto do transporte público pode ser muito útil. Ninguém gosta de esperar o ônibus passar no inverno. Acredite.
3 – Não tente fazer do Québec, um Brasil em miniatura. Quanto mais você tiver resistência à se adaptar, pior será. Ser imigrante é ter dois países. Tenha em mente que cada um tem seu lado positivo e negativo. Evite comparar o Brasil com o Québec ou Canadá toda hora. Não é agradável pra ninguém ficar ouvindo esse tipo de coisa.
4 – Aqui, a chance de ninguém conhecer sua faculdade ou as empresas nas quais você trabalhou é grande. Não tenha medo de ter um cargo de trabalho inferior ao que você tinha no Brasil. Lembre-se, é um recomeço.
5 – Integre-se, procure se informar dos assuntos rotineiros, fale sobre o tempo, se faz frio, se faz calor, é assim que se começa uma conversa.

Jenniffer

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Jenniffer deve ser a brasileira mais famosa do Québec desde que fechou aquela porta. Quantas vezes tivemos o prazer de confirmar aos curiosos que a Jenniffer tinha conseguido o CSQ naquela famosa entrevista.

Como conseguiu imigrar e como foi sua experiência na ÉQ?

O programa de imigração que utilizei foi pela província de Québec. Estudei na École Québec em 2008, se eu não me engano, e amei! Foi como um ” portal ” para o Québec pra mim. Moro em Montreal há 7 anos.

Como está a vida profissional?

No Brasil, trabalhava no Sindicato dos Comerciários como secretária. Chegando aqui noQuébec, fiz curso de enfermagem e hoje trabalho na área. Estou muito bem. Tenho uma certa estabilidade no trabalho, flexibilidade de horários, coisa que gosto muito, e ganho um salário que me permite ter um conforto.

E a vida pessoal?

Pessoalmente também estou muito bem! Estou muito feliz com a decisão que tomei. Não me arrependo. Vir para o Canadá me possibilitou outras oportunidades que não sei se conseguiria no Brasil. Talvez conseguisse sim, pois tudo é possível, mas acredito que seria de forma mais penosa.

Não tive problemas de interação, talvez porque vim com a cabeça muito “aberta “, e tinha muita vontade de interagir com as pessoas daqui. Acho que o aspecto mais difícil da imigração pra mim foi realmente o idioma. Por mais que você seja legal, simpático e tenha boa vontade, falar o idioma é fundamental. Te abre portas. Você se comunica bem e assim ganha respeito e credibilidade das pessoas.

O que mais me agradou nesses últimos anos foi que aprendi a ser mais positiva, muito mais tolerante e menos preconceituosa em relação a tudo, até questões internas. É enriquecedor ver que aqui no Canadá é possível ter uma vida com mais “dignidade” sem necessariamente ganhar rios de dinheiro.

Quais seriam os seus 5 principais conselhos?

1. Estude o idioma. Quanto melhor falar, mais terá oportunidades interessantes.

2. Faça pesquisa sobre o local escolhido para morar de uma forma geral para não ter surpresas desagradáveis.

3. Tenha certeza de que o frio não será um grande problema para você e sua família! Já vi vários colegas que voltaram para o Brasil por não aguentar as temperaturas frias e não os julgo.

4. Não tenha medo de arriscar! Se a vontade de imigrar for do coração, a experiência será sempre única e valiosa mesmo que o projeto de imigração não dê certo.

5 – Tolerância é uma palavra chave para quem quer imigrar. É importante lembrar que aqui NÃO é o Brasil. A cultura é diferente; as pessoas pensam e se comportam de maneira diferente. Quanto mais temos isso em mente, mais fácil é o processo de integração. Não preciso explicar que isso não significa aceitar sofrer preconceito ou que tenha que abdicar de sua cultura.

Não tenho 5 razões para incentivar alguém a imigrar , mas apenas 1 razão! Para imigrar é necessário QUERER imigrar! É uma única razão válida ao meu ver! Já vi muitas pessoas que imigraram sem necessariamente “querer”, mas por outros motivos. Por causa disso, chegaram aqui e se decepcionaram profundamente. Tem que ser uma vontade do coração e não a vontade do ego! De uma forma geral, desejo muito sucesso a todos que pensam fielmente em imigrar! Quem sabe um dia eu não escrevo um livro?

Escreva, sim, Jenniffer!

Sobre o diretor

Alessandro Sócrates que apresentou o projeto do “último que sair fecha a porta” também está no Québec hoje. Ele mora em Montréal e acabou de lançar o filme “L’Amour à la Plage”. Voyez la bande-annonce!

Conte um pouco sobre sua experiência no Québec!

Cheguei em Montreal em 2010, dois anos após as filmagens do documentário O último que sair fecha a porta. Oito anos depois, cidadão canadense há um ano e meio, posso dizer que estou finalmente começando a me sentir em casa. A inserção no mercado de trabalho foi difícil e lenta, os primeiros anos foram passados entre o Brasil e o Canadá, mas os frutos de todo esse esforço já começaram a aparecer. Este ano estreou meu primeiro longa-metragem documentário realizado no Quebec e eu aprecio cada vez mais o estilo de vida que Montreal me proporciona.

Sobre a professora Catherine

Após 13 anos no Brasil, Catherine está de volta ao Québec com a família brasileira.

O que aconteceu nesses 13 anos no Brasil?

Logo após a filmagem, fiquei um tempo no Rio para abrir uma filial da École Québec que acabou de fazer 10 anos. Me realizei muito profissionalmente com a ÉQ. Nunca imaginei ficar tanto tempo numa única empresa. Os alunos da École Québec são, sem dúvida, os melhores seres humanos que se pode imaginar: corajosos, esforçados, interessados no idioma e na cultura do Québec. Muitos deles me ajudaram tanto para o acontecimento da ÉQ quanto pessoalmente. Lembro que quando decidi ficar no Brasil e abrir a escola, tinha muitas inseguranças. Tudo era tão complicado. Mas minha vontade de fazer aquilo: ensinar francês, empreender, ajudar as pessoas a realizarem um sonho, me proporcionou coragem para arriscar e fui recompensada além das minhas expectativas.

Depois de 5 anos no Brasil, consegui realizar o grande sonho de me apaixonar por um brasileiro. Sempre brinco com os solteiros que querem se estabelecer no Québec que demorei 5 anos para entender a cultura brasileira suficiente para ter um relacionamento sério. Relacionamentos interculturais tem seus desafios, mas são muito enriquecedores e sexy 😉

Meu cônjuge tem uma filha de 17 anos e temos um menino de 5. Enfim, posso dizer que tenho uma família brasileira. Os idiomas se misturam na hora do jantar e todos sabem como aproveitar o melhor de cada cultura que conhecemos. É isso que eu buscava quando fui entrevistada para o documentário.

O que te deu vontade de voltar para o Québec?

Depois do documentário sair, todo mundo queria me explicar os motivos pelos quais os brasileiros querem imigrar para o Québec. No filme, eu dava a impressão que não entendia os motivos dos meus alunos. Na realidade, o que quis dizer é que não vivenciei as dificuldades pelas quais eles passaram. Enfim, com um filho de 4 anos, um cônjuge muito insatisfeito com o mercado de trabalho brasileiro e umas injustiças vivenciadas, resolvemos aproveitar que o Québec está num momento econômico muito bom para arrumar as malas.

Como está sendo a volta?

Acabamos de chegar então ainda está difícil dizer se nos adaptaremos. Já posso afirmar que não é fácil. Sou do Québec e enfrento dificuldades então imagino que deve ser o mesmo ou pior para os nossos alunos. Os funcionários da imigração são muito antipáticos. Achava os alunos um pouco desesperados na espera do visto até eu estar na mesma situação.

Profissionalmente, acho as oportunidades daqui mais atraentes e principalmente mais estáveis. O trabalhador québécois consegue impor seus limites. Meu objetivo profissional agora é encher o mercado de trabalho québécois de brasileiros para compensar a falta de mão de obra daqui. Estou convencida que o Québec tem muito a ganhar recebendo brasileiros e oferecendo a eles um espaço no mercado.

Assista aqui!